Gráfico ou Tabela?

O objetivo principal de hoje é responder à questão: Devo apresentar os meus dados na forma de gráfico ou de tabela?

Claro que a escolha entre apresentar os dados na forma de tabela ou de gráfico depende no nosso objetivo… Mas de que forma?  Ao longo dos anos tenho visto inúmeras vezes resultados apresentados em tabelas que deveriam estar em gráficos.  Raras vezes aconteceu o contrário.

Se o que se pretende apresentar é uma ordem de grandeza, uma variação, uma tendência, então a melhor escolha é um gráfico.  Um bom gráfico omite os detalhes e ilustra de forma clara a mensagem que se pretende passar. Por outro lado, se os detalhes e/ou os valores são mesmo importantes, então uma tabela é a solução.

Sugestão: Tente sempre apresentar os resultados na forma de gráfico(s).  Se bem feitos, são normalmente mais fáceis de ler e de entender que as tabelas.

A tabela seguinte apresenta a distribuição da população portuguesa ativa por setor de atividade em 19080,1990, 2000 e 2010.  Que informação consegue extrair desta tabela em 10 segundos?  Provavelmente muito pouca!

PrimárioSecundárioTerceário
19801121,01415,01388,0
1990845,61624,62245,2
2000645,21741,72654,4
2010548,11327,33023,0

Vamos agora ver a mesma informação na forma de gráficos.

Vamos lá tentar interpretar os gráficos:
— Em 1980 a distribuição estava equilibrada pelos três setores de atividade.
— Ao longo dos anos entre 1980 e 2010 o número de pessoas nos setores Primário e Secundário diminuiu proporcionalmente ao número de pessoas no setor Terceário. 

Mas outras questões que podem ser colocadas são de difícil (ou mesmo impossível) resposta por estes gráficos.  Por exemplo:
— A distribuição em 1980 não seria seguramente 1/3 para cada setor.  Qual dos setores tinha ainda assim mais trabalhadores e qual tinha menos?
— O número de pessoas no setor Terceário aumentou!  Será que em 2010 representa o dobro de 1980?
— E em 1990… será que o número de pessoas no setor Secundário era o dobro das no setor Primário?
— Será que, em termos absolutos, haverá mais ou menos pessoas no setor Secundário em 1980 ou em 2010?

Uma boa escolha do tipo de gráfico é fundamental. Vamos rever a mesma informação, mas agora apresentada sobre a forma de gráfico de barras.


E vamos lá revistar a perguntas que tínhamos por responder:
— A distribuição em 1980 não seria seguramente 1/3 para cada.  Qual das áreas tinha ainda assim mais trabalhadores e qual tinha menos?  A ordem da menor para a maior era: Primário, Terceário, Secundário.
— O número de pessoas no setor Terceário aumentou!  Será que em 2010 representa o dobro de 1980? É marginalmente mais do dobro. Em 1980 está visivelmente abaixo doa 1500, enquanto em em 2010 está nos 3000.
— E em 1990… será que o número de pessoas no setor Secundário era o dobro das no setor Primário? Esta pergunta ainda não consegue ser respondida com este gráfico.
— Será que em termos absolutos, em 2010 haverá mais ou menos pessoas no setor Secundário que em 1980? Há claramente menos pessoas no setor Secundário em 2010.

Resumo:  Não use gráficos tipo pie-chart.  Os gráfico de barras, ou de linhas, são normalmente muito mais fáceis de ler e mais informativos que os gráficos tipo pie-chart

Outra questão adicional que se pode colocar é: Devo usar um gráfico de barras ou de linhas? Vejamos a mesma informação sobre a forma de gráfico de linhas.

A partir de gráfico de linhas é possível responder exatamente às mesmas questões que com o gráfico de barras, sendo também mais fácil de intuir as tendências de variação ao longo do tempo.  Mas atenção que este tipo de gráficos só se deve utilizar quando o domínio da variável no eixo da abcissa (X) é contínuo (por exemplo: tempo, medidas lineares, de área ou de volume). Nos casos em que o domínio dos valores da abcissa é discreto (por exemplo: cores, localidades) deve-se utilizar gráficos de barras.

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